Concepções Alternativas
sábado, 10 de outubro de 2015
O peso de Piaget na atual psicopedagogia.
Durante os estudos com o material de apoio fornecido pela instituição, ao
longo dessa pós-graduação, pude notar a forte tendência em seguir as ideias
piagetianas. A proposta do curso assume um paradigma de psicopedagogia que se
apoia em três pilares: A epistemologia genética de Piaget, a psicanálise de
Freud e uma “vaga” abordagem sócio-histórico-cultural.
Como um pesquisador na área, atualmente cursando mestrado em educação em
ciências, compreendo que existe uma tendencia história a seguir Piaget. Por
muitos suas teorias se destacaram muito no cenário internacional, construindo
uma comunidade de pesquisadores que levaram suas ideias para diferentes áreas
do conhecimento. Contudo, mais para o final do século XX, Vygotsky é “encontrado”
pela academia e, como uma nova febre, ganha grande destaque.
Assim como diversos epistemólogos da ciência concordam, entre eles
Lakatos e Feyerabend, é normal um pesquisador não abandonar as teorias centrais
de seu paradigma apenas porque uma outra teoria parece melhor ajustável. Com
isso, diversas pesquisas tentam demonstrar teorias que levam Piaget e Vygotsky
juntos, na mesma proposta.
No entanto, as ideias deles são incomensuráveis e, até certo ponto,
incompatíveis. Gordon Wells, defensor das teoria histórico-cultural ativa,
inspirada em Vygotsky, mostra em seus trabalhos mais antigos que a proposta de
interação emergente da ideia de zona de desenvolvimento proximal nos tras uma
ideia do diálogo não como avaliador, mas como processo de aprendizagem. Os
processos construção de conhecimento não seriam de dentro para fora, mas sim de
fora para dentro.
A partir disso, entendo que as bases da psicopedagogia que estudamos se
baseie fortemente em Piaget. Também entendo porque ela “assume” uma influência
interacionista, demonstrando reconhecer os avanços significativos do outro
paradigma. Contudo, podemos ver desde os testes piagetianos até com o modo de
classificação dos problemas que a psicopedagogia usa Piaget para avaliar e a
psicanálise para achar o culpado e o tratamento.
Nesse sentido penso: Como seria uma psicopedagogia realmente influenciada
pela teoria histórico- cultural? Que tenha na sua base o interacionismo e que
realmente se desenvolva a partir dele. Talvez um discurso nessa linha já esteja
sendo trabalhado em algum lugar, apenas ainda não esbarrei nele.
Tendo aqui o meu problema proposto, um problema de natureza teórica e
prática, gostaria de sugerir planos de ação para resolve-lo.
Primeiramente cabe fazer uma revisão bibliográfica do tema, começando
pela literatura nacional, partindo para a latina e, por ultimo, em escala
global. É importante notar se a questão é original e como a comunidade tem se
encaminhado para responde-la. A partir disso, uma revisão na própria literatura
da teoria histórico-cultural tem sido trabalhada. Para uma terceira etapa, caso
as duas primeiras não auxiliem no processo, as pesquisas práticas deveriam
começar. Imagino que a pesquisa clínica seja um bom primeiro passo, começando
por pesquisas qualitativas, seguindo diversas metodologias, para começar a
esboçar as primeiras ideias sobre o assunto.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Uma pequena viajem com muitas reflexões. Comentando o EEEFís VI. Parte 3 - Posters
Uma das minhas partes favoritas dos eventos é, sem dúvidas, a apresentação de posters. Faz anos que não apresento, os poucos e últimos eventos que fui participei das apresentações orais. Mas sinto saudade por diversos motivos:
- Está disponível para todos no evento poder dar uma olhada. Em apresentação oral dividida por sala se perde muita coisa.
- Pode-se ler o título e passar os olhos no poster para ver se acha interessante despretensiosamente, podendo apenas continuar andando caso não chame a atenção.
- A conversa é mais informal, é muito mais fácil criticar, elogiar, trocar informações. - burocracia + humanidade!
- Uma ótima chance dos graduandos iniciantes poderem apresentar no que vem trabalhando e se acostumar a esse tipo de ambiente.
Alem de tudo já citado, podemos ter, na apresentação de posters, uma ideia de como uma faculdade, ou comunidade, vem trabalhando um tema. Orientandos e orientadores escrevendo sobre suas ideias e pesquisas... tudo isso em primeira mão!
Nesse evento que venho narrando, tivemos dois corredores para a amostra. Esses eram em prédios diferentes, mas bem próximos. Dentro da agenda do evento estava reservado das 14h até as 15h:30 para a apresentação. Por experiência, provavelmente não conseguiria ver todos nesse tempo. Chegando perto das 13h:30 já me dirigi ao primeiro corredor e fazendo registros fotográficos daqueles posters que mais me chamaram a atenção. Pois bem, vamos a eles:
Esse primeiro poster, um dos primeiros do corredor, me chamou a atenção pois ele, de cara, consegue resolver um dos problemas que constantemente aparece nas aulas de TIC na nossa Licenciatura em Física: diversos apps que possuímos para celular e podemos usar na coleta de dados não se comunicam com o computador para análise e registro posterior. Nesse trabalho, o app que coleta dados do acelerômetro tem uma opção para se comunicar com o pc. O software Physics Toolbox Accelerometer exporta os dados coletados em forma de tabela que podem ser usados, posteriormente, para fazer gráficos e outros. Como mais podemos usar um acelerômetro?
Conhecimento Físico na educação infantil a partir de desenhos animados. Por que não pensei nisso antes?
É verdade que todo o bom pai conhece diversos desenhos educativos para seus filhos. Para os que não conhecem existem canais especializados nisso. A questão é: o que fica com as crianças depois do desenho? Elas absorvem conceitos, metodologias? Constroem conhecimento?
"Kika de onde vem?" " Doki Descobre" "Sid o Cientista" são os desenhos citados. Claro que não são os únicos, sendo um outro bom exemplo "O Show da Luna", mas foram escolhidos episódios que abordavam conceitos específicos da Física.
Nada melhor do que juntar conhecimento com lazer. Vamos nos divertir aprendendo?
Pena que a foto saiu um pouco tremida. Mas porque esse tema está aqui?
Já vinhamos discutindo esse tema no grupo Novos Talentos, uma oficina de hidrostática utilizando o simulador que consta no poster. O interessante que eu vim a descobrir no evento é que é um simulador bem conhecido, com diversas atividades e propostas baseadas nele, sendo usado e analisado por todos os níveis da educação.
Um tema que enriqueceria nossa proposta como grupo, tanto no médio quanto no fundamental, mas que não precisaria ser concebida do zero. Podemos nos integrar com outros grupos, evitando erros e repetindo acertos. Sim ao network!
Esse é apenas um recorte e, infelizmente a foto saiu bem tremida. Mas uma coisa no texto mexeu muito comigo.
Reconheço não estar familiarizado com o conceito de estruturas de representações e mapas perceptuais.
Contudo, o que eu achei mais interessante é que os mapas feitos pelos pós-graduandos fazer parte do "universo retificado" e, quanto mais parecido com eles, mais se aproximam do universo dos especialistas e mais se distanciam do senso comum.
Eu, particularmente achei muito curioso a proposta do trabalho. Primeiro porque considera os testes dos pós-graduando aproximado dos especialistas, sendo que outras pesquisas mostram que professores universitários seguidamente não entram em consenso sobre conceitos básicos da Física. Segundo por comparar a fala de estudantes da educação básica com acadêmicos da pós-graduação, considerando que a fala ainda vai se transformar muito e, só por ser diferente, não reflete o quanto do senso comum ela representa.
Bom, está aberto a discussão.

Gente, olha que lindo esse título e essas fotos... NO MESMO POSTER!
Tive a chance de conversar bastante com as colegas que participaram tanto na organização quanto como ouvintes.
Segundo elas, os professores da região, que até pouco tempo não possuía universidade alguma, clamavam por uma chance como essa. A universidade propõe, e com qualidade, essa possibilidade dos professores se encontrarem e discutirem as suas necessidades. Os temas geralmente eram escolhidos pelos mesmos e, em diversas ocasiões, professores de outras regiões eram convidados a palestrar.
Me chamou muito atenção pois já participei de tentativas semelhantes mas que, de alguma maneira, não trouxe resultados esperados. Espero, um dia, participar de uma proposta com mesmo tema e tão bem sucedida como essa.
Gente, esse poster foi tão rico, com uma conversa tão produtiva e promissora que merecia uma postagem só dele. Videos de experimentos é tudo de bom por diversos e inumeráveis motivos. Joga no google: cref/n31_decarli Essa aliança parece dar certo por vários motivos. Ela ajuda o Tracker a sair um pouco da área da cinemática e ajuda a ter uma coleta de dados mais rápida e precisa para experimentos modernos.
O Arduíno também apareceu nessa categoria e vou falar dele mais tarde.
Para mim, um dos posters mais encantadores e surpreendentes. Bolsistas de iniciação científica da PUCRS, na área da Física licenciatura, trabalhando com Análise Textual Discursiva.
O trabalho traz um pouco a tona a má pratica de alguns pesquisadores de alegar usar a ATD em suas pesquisas, artigos e teses, apenas para fugir de uma técnica qualitativa mais rígida, contudo sem usa-la com a devida apropriação, chegando a resultados "fracos"
Ainda pretendo avançar muito essa área e é bom saber que tem gente vigiando.
Como é comum, muitas pessoas se aproximam do curso de Física por uma certa paixão pela astronomia. Alguns, que tiveram a chance de ter um telescópio ou, por outros motivos, são simpatizantes da astronomia observacional chegam ao curso querendo manter uma proposta nessa linha desde o começo. Porque estou dizendo isso?
Conversando com o colega que apresentou esse poster e perguntando para ele que tipo de atividades didáticas poderíamos fazer utilizando telescópios e lunetas ele simplesmente respondeu "não sei".
Propostas envolvendo conhecimentos da astronomia são diversas. Propostas envolvendo observação não são tão comuns.
Me sinto desafiado a entrar nesse desafio, mas por uma outra porta... onde o "como estamos vendo?" e o "mas porque estamos vendo?" ganham um foco a mais...
Aqui está outro exemplo de laboratório de Física "moderna" aliado as TIC.
Nessa proposta o Arduíno é utilizado para coletar dados, através de um sensor, da intensidade de um laser.
Uma proposta riquíssima, onde envolve programação, aquisição automática de dados, funcionamento de sensores e, pasmem, conceitos físicos.
Segundo a autora, além de coletar dados, a proposta é fazer com que o Arduíno seja capaz de controlar o angulo que é comparado com a coleta de dados. Ou seja, um experimento automatizado.
Não se trata mais de apenas realizar o experimento, estamos em um nível de discussão diferente. A discussão começa a ser realmente moderna onde o ser humano apenas programa a máquina que faz o experimento e coleta os dados.
Trabalho interessante. Me chamou a atenção pela metodologia utilizada: Pré-teste e pós-teste. E olhem os resultados!
O tema, recursos de informática na aprendizagem de Física, é bem amplo e segue por discussões vem variadas. Existe uma gama variada de referenciais quando se quer falar de educação relacionada as tecnologias. São trabalhos como esse que me lembram o quanto a discussão de um mesmo tema pode ser amplo.
Incentivando o interesse de meninas na Ciência por meio da Astronomia e da Física.
Mulheres não gostam de física? Porque?
Porque algumas turmas de engenharia química possuem mais mulheres do que homens? Porque na licenciatura tende a ter mais mulheres do que no bacharelado? Mulheres não gostam de exatas? Mulheres tem mais dificuldades com exatas? Mulheres precisam de um incentivo extra? O problema é o ambiente dentro do curso? É a visão que a sociedade tem com o formado na área?
Bom, vou ocultar minha opinião sobre essas perguntas, mas acho que podemos ter uma ideia de onde quero chegar...
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Uma pequena viajem com muitas reflexões. Comentando o EEEFís VI. Parte 2 - Minicurso sobre Maquinas térmicas, CTS e RPG
Aqui falarei do minicurso As máquinas a vapor na revolução industrial: um minicurso utilizando "Roleplaying Game" (RPG) como uma ferramenta educacional para a abordagem CTS no Ensino de Física
Pelo título, podemos ver que trata de diversos assuntos. Podemos desmembrar cada um deles antes de falar sobre a prática em si.
Começando pelo RPG:
O Jogo de interpretação de personagem (Role-Playing Game, em inglês). Apesar de ser um termo conhecido na cultura nerd/geek ainda é um termo um pouco distante tanto da cultura pop quanto da área acadêmica. O RPG é um jogo que tem como foco a imersão em situações hipotéticas, sendo elas em contexto real ou não, interpretando você mesmo ou não. O jogo pode seguir em uma linha mais teatral, focado bastante na interpretação, como também seguindo mais rigorosamente as "regras do sistema" que envolve fixas a serem preenchidas, um pouco de matemática e algum sistema de aleatoriedade (normalmente dados). Os dois estilos podem ser mesclados em diferentes níveis.
| Jogadores interpretando uma aventura de Vampiros |
| Dados de diferentes faces |
![]() |
| Exemplo de Ficha de RPG |
É interessante pensar que, por definição, o RPG é tão amplo que podemos creditar outras práticas, normalmente distintas, como sendo um caso específico. O juri simulado, por exemplo, trata-se de uma situação hipotética, envolvendo um contexto comumente próximo da realidade, em que os participantes devem interpretar um certo poder e seguir algumas regrar para poder argumentar e chegar a um resultado. O uso do teatro e, até mesmo, a própria apresentação de um trabalho ou proposta, usa conceitos de RPG em sua proposta. A pergunta é: Se já usamos em diversas práticas diferentes características do RPG, por que não conhecer melhor a metodologia e ampliar nossas propostas?
CTS:
A sigla significa Ciência, Tecnologia e Sociedade. Sua proposta é usar de uma visão crítica e interdisciplinar (até mesmo transdisciplinar) justamente para entender melhor a relação desses conceitos. Muitos acreditam que vivemos em um mundo em que a ciência é neutra, ou seja, ela se desenvolve de maneira objetiva, independente de valores políticos e econômicos e que a tecnologia é a solução para todos os problemas. Tentar desmistificar a ideia de que avanços da ciência geram avanços na tecnologia, que vão gerar avanços na sociedade, não é uma relação tão simples, direta e determinista é o grande objetivo. Interessante ressaltar que a proposta CTS, por se tratar de um tema razoavelmente novo e interdisciplinar, se apóia em diferentes epistemologias, com diferentes focos. Isso faz com que seja um movimento muito diverso, que pode se focar em temas mais ambientais, sociais, históricos, filosófico entre outros.
A proposta do minicurso:
Simplificando, temos uma proposta CTS, com o tema de máquinas a vapor (termodinâmica e mecânica), utilizando uma metodologia baseada no RPG.
Com uma CTS centralizada em princípios Marxianos, a escolha do tema se torna extremamente eloquente, visto que a maquina a vapor alavancou a revolução industrial e praticamente caracterizou o sistema capitalista que, segundo a proposta, vivemos até hoje.
O professor ministrante explica como foi aplicado essa prática na escola de ensino médio em que atua. Basicamente os alunos são convidados a criar um personagem que vai atuar nas seguintes categorias: Proprietários capitalistas, proletariado, tecnicistas e mídia. Cada aluno, apesar de ter um personagem distinto, conversa com os outros de sua categoria para tomar as decisões importantes que serão "forçados" a tomar.
O cenário é "em algum momento do século XVIII, onde a maquina a vapor começa a ser incorporada pela industria". Cada grupo possui um objetivo no jogo: O capitalista serve como um juiz, ele precisa levar em conta as pesquisas dos tecnicistas, as necessidades do mercado e as exigências do proletariado para tomar a decisão de (como) incorporar as máquinas a vapor na sua produção. Os tecnicistas tem o dever de trazer o conhecimento técnico-científico para a comunidade, tendo como responsabilidade verificar as notícias do jornal e fazer cálculos que apoiem seus argumentos. O proletariado tem o dever de questionar as questões sociais e protegerem seus empregos assim como sua condição de vida. Por ultimo, a mídia trabalha auxiliando o professor na medida que entrevista os outros grupos, ajudando na divulgação do que está sendo feito.
Durante cada aula, um jornal é entregue pelo professor que vai definir qual é o tema foco de discussão. O jogo termina em uma etapa que se reflete as consequências da escolha final feita pelos capitalistas.
Algumas considerações:
É muito importante pensar que que a proposta centrão está no RPG auxiliando o CTS, sendo o tema revolução industrial secundário e substituível. Poderíamos pensar como cenário da discussão alguma outra tecnologia ou conhecimento científico que obteve grandes repercussões na sociedade assim como imaginar uma situação hipotética, no futuro, presente ou passado, que proporcionasse uma situação para se debater a CTS.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Uma pequena viajem com muitas reflexões. Comentando o EEEFís VI. Parte 2 - Minicurso sobre realidade aumentada
Nesse espaço comentarei sobre os dois minicursos que participei: Aplicações da realidade aumentada no ensino de Física
Começando pelo primeiro, de 6 horas, que aconteceu durante as manhas dos 3 dias.
Realidade aumentada. Alguns ainda nem conhecem esse termo. Ele já é comentado e demonstrado na ficção científica já alguns anos (Aqui você pode ver alguns dos filmes que utilizam esse conceito em suas tramas). Diversas propostas de realidade aumentada vão aparecendo ao longo do século XXI, ganhando um forte incentivo com a tecnologia presente nos tablets e smartphones. O revolucionário e futurista Google Glass nos promete algo que até então parecia um sonho. Mais tarde, já em um cenário muito mais específico, o jogo Night Terrors mostra em seu trailer uma proposta de realidade aumentada que chega a assustar (literalmente). Por ultimo, nesse mês que passou, a revelação do jogo Pokémon Go promete usar a realidade aumentada para realizar o sonho de muitos marmanjos que sonhavam em ser um mestre pokemon.
Google Glass para iniciantes
Trailer do jogo Night Terrors
Trailer do jogo Pokémon Go
Vamos deixar claro que essas aparições são apenas a ponta do iceberg, recortes da cultura pop. A realidade aumentada está sendo usada em diversas áreas já a alguns anos. A modelagem 3D, arquitetura em especial, a vários anos mostra nossas casas em modelos 3D totalmente digitais e interativos. Nesse momento que veio a pergunta: Por onde anda o ensino no meio desses avanços?
O minicurso, humilde e bem focado em sua proposta, nos traz dois softwares que seriam apresentados e trabalhados: Layar e Flaras.
Com propostas muito diferentes, o minicursos se focou em apresentar os dois softwares, propor algumas atividades para a apropriação mínima e discussão final sobre o tema.
Começando pelo Layar então, o software foi desenvolvido com um forte conceito de propaganda. Basicamente, para o usuário, tudo que você tem que fazer é instalar o app em seu celular, apontar para um material preparado (que pode ser foto, codes, paginas de revista, paisagens e etc) e pronto. O que o software faz é mostrar aquele ponto da realidade captado pela câmera com um "layer" digital por cima onde o autor pode colocar diversos links, fotos, videos e até apps.
Realmente, o layar me encantou bastante e me provocou de instantâneo. Contudo, a parte ruim é que, para cada "página" ou "foto" que se queira deixar online é preciso pagar 3 euros por mês. Isso mesmo, esqueça a proposta de digitalizar diversas áreas da escola ou diversas páginas de um livro.
Quanto ao Flaras, estamos falando de utilizar um notebook ou desktop com webcam para interagir com objetos 3D. Quando a câmera encontra um marcador (ima figura impressa em papel) o objeto sai do papel e, olhando pelo computador, é possível ver o objeto (ou imagem 2D) no mesmo plano que você. Parece legal, parece supimpa. O problema é a dificuldade de achar boas imagens 3D alem do fato de exigir do professor um pouco mais de paciência. Em especial não me agradou muito. Interação baixa e pouca revolução para muito trabalho. Contudo, existe claramente muito espaço para evoluir.
Como conclusão desse minicurso duas coisas se tornaram evidentes: Se o layar fosse mais barato ou se encontre outros softwares com propriedade semelhante abriria espaço para diversas aplicações realmente inovadoras, desafiadoras e interativas. Quanto ao Flaras, um banco de dados com aulas já prontas e animações previamente selecionadas ajudaria bastante (apesar do google manter um site, com o nome de armazém 3D em portugues com diversas animações, muitas não são compatíveis).
De mais, existem outros sites e recursos não abordados no minicurso que poderiam servir para práticas interativas. Aqui recomendo um.
domingo, 4 de outubro de 2015
Uma pequena viajem com muitas reflexões. Comentando o EEEFís VI. Parte 1
Durante os dias 1, 2 e 3 de outubro a comunidade de professores, graduandos e pesquisadores na área do ensino de física foi agraciada com o VI Encontro Estadual de Ensino de Física - RS. O evento, que acontece a cada dois anos e é organizado por professores da UFRGS, tendo como sede o Campus do Vale, me recebeu pela terceira vez nessa edição.
Minha história está ligada diretamente a esse evento. Em 2011, no segundo ano da graduação em Física- Licenciatura e Bacharelado (na época focado no Bacharelado), participei pela primeira vez deste encontro que abriu minha visão para o ensino e a educação. Na época, motivado a enviar um resumo para apresentação de poster sobre a análise de um movimento, que eu não sabia o que era, utilizando um software, que eu não conhecia, pude testemunhar os relatórios e resultados de diversas atividades realizadas na área da educação. Obviamente eu não fazia ideia em que estava me metendo.
Dois anos mais tarde, agora com o mínimo de experiência e atuação na área da licenciatura, retornei ao evento com uma apresentação oral sobre as atividades do grupo Novos Talentos da Física.
Hoje, mestrando na Educação em Ciências, tenho o mínimo de visão para notar o quanto esse tipo de evento é realmente importante para todos os envolvidos e o quanto eu sou grato por essa oportunidade. Estou aqui para, nas partes posteriores, fazer comentários sobre mínimos recortes do evento que gostaria de compartilhar junto com a minha humilde opinião sobre o fato.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Primeiro
método: Uma base forte resultará numa eficiência melhor em aula.
A
primeira idéia que surge para encaixar mais conteúdo em um espaço que mal
consegue passar todo o antigo conteúdo para o estudante é fazer uma seleção
mais rigorosa dos assuntos, podando aqueles considerados muito superficiais e
focando-se nas novas tecnologias e novas descobertas. Porem essa é, para mim, a
idéia mais desesperada que poderíamos ter, portanto o ultimo plano para caso de
necessidade.
Iniciarei com o que para mim seria o mais
eficiente, contudo exigiria uma maior demanda de mudanças do sistema escolar em
geral, assim como o dos estudantes e o da sociedade. Para esse parto de duas
premissas principais:
·
Basicamente
toda a física é construída a partir de conceitos básicos e, mais tarde na
física moderna, destruição de vários desses mesmos conceitos.
·
Apesar
da física, em seu formato matemático mais completo para o ensino médio, não ser
uma disciplina acessível para alunos de ensino fundamental, os conceitos
básicos, assim como matemática básica, são muito fracamente abordadas durante a
pré-escola e ensino fundamental.
Partindo
dessas duas premissas torna-se meio obvia minha proposta. Acredito que a educação anterior ao ensino
médio da muito pouco amparo para a disciplina de física. Logo, sobra para esta
alicerçar os conceitos básicos, criar suas inter relações, fortalecer toda uma
matemática básica de álgebra, geometria, leitura de tabelas, gráficos entre
outros. Dessa maneira, a física e seus horários limitados não conseguem atingir
todos os conteúdos do currículo clássico, muito menos inserir conteúdos de física
moderna e contemporânea.
Para
definir quais os conceitos são mais básicos que poderiam passar para as series
anteriores ao ensino médio, assim como o método de ensino utilizado, seria
necessário um maior estudo na área de minha parte. Contudo, pela proposta da
atividade me arrisco a sugerir alguns.
·
Posição
e distancias
·
Tempo
·
Referencial
·
Velocidade
e aceleração
·
Massa
e peso
·
Densidade
·
Volume
·
Temperatura
·
Pressão
·
Óptica
de espelhos planos
·
Estados
da matéria
·
Conceitos
gerais de energia.
Acredito
que esses conceitos exigem muito tempo para se construí-los na sala de aula do
ensino médio, contudo são básicos e podem ser explorados por meio de
brincadeiras e atividades diversas desde a pré-escola.
Outro
grande problema de demorar tanto para abordar esses conceitos é o fato do
estudante construir suas concepções alternativas sobre esses conceitos e, cada
vez mais, ir alicerçando esse conhecimento em sua mente devido a não ter o
incentivo para confrontá-los com o mundo físico.
A
partir desses conceitos básicos bem alicerçados torna- muito mais simples
abordar os temas clássicos da física e assim construir tanto a
interdisciplinaridade tão desejada quanto a possibilidade de se estudar a FMC
durante os anos letivos do ensino médio. Citarei um exemplo:
Se
o aluno já entende o conceito de massa
como uma propriedade de um objeto, que não é o peso medido pela balança, mas sim uma característica que cria uma
resistência quando é tentado modificar o movimento de um corpo, ou seja, sua velocidade, assim como também essa
ultima, se tornará muito mais simples explicar que a Força é uma grandeza que representa
o esforço que deve ser feito para modificar a velocidade desse objeto de massa
conhecida em um certo período de tempo.
A
princípio posso não ter me expressado bem, mas acredito que se o aluno ainda
não sabe com muita clareza a ideia que passa as palavras massa e velocidade,
palavras como momento ou força serão apenas relações algébricas fazias, tirando
delas todos os conceitos físicos tão importantes.
A
partir desse momento, onde temos uma base forte, construir as idéias de “força
e momento”, “trabalho, energia cinética e potencial”, óptica geométrica,
“oscilação e ondas”, termostática e hidrostática demorariam cerca de 4
trimestres para serem trabalhados, deixando assim 2 trimestres entre o primeiro
e o segundo ano do ensino médio para se trabalhar a destruição de alguns desses
conceitos, como o de tempo e espaço absoluto, precisão nas medidas, energias
quantizadas entre outros temas abordados sempre de maneira didática que traga o
máximo o possível das tecnologias do dia a dia.
Para
o terceiro ano sugiro uma abordagem completa de eletromagnetismo, porem com uma
ampla abordagem experimental e teórica sobre materiais modernos como leds,
semicondutores, supercondutores, sensores fotoelétricos, motores elétricos
(ok,não tão moderno, mas uma das principais tecnologias que vieram com a unificação das duas forças) entre outros.
Contudo
ressalto que esse é o método mais complicado de se aplicar porque exige uma
mudança forte em toda a educação em ciências da educação pré ensino médio onde
exigira uma demanda de estudos envolvendo como deve ser aplicado quais desses
conceitos em que anos e sobre quais metodologias. Alem disso tanto as mídias
quanto os próprios pais dos alunos possuem uma responsabilidade importante de
ajudar o filho compreender melhor esses objetos básicos para a construção do
conhecimento em física.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Professores de ciências ou cientistas professores?
Encontramos em nossa realidade uma serie de problemas na área da educação. Problemas graves de gestão ,como estado de escolas e materiais, de identidade e valorização da educação na sociedade e problemas didáticos e pedagógicos envolvendo escola-professor-aluno.
Não há como colocar a culpa mais em um problema do que em outro, até porque alguns são derivados de outros, porem podemos escolher um dos tópicos para conversar melhor sobre: o professor de ciências.
As ciências que quero retratar possuem suas peculiaridades: são ensinadas juntas no ensino fundamental, são divididas em química física e biologia nas ultimas series do fundamental e no primeiro ano do ensino médio e são compreendidas principalmente com a necessidade de experimentação e atividades praticas. Dito isso quero ressaltar que um professor de uma disciplina bem diferente como línguas, geografia ou matemática e não tenha competência na disciplina não conseguirá dar uma aula satisfatória de conteúdo, dificilmente será compreendido e, principalmente, não conseguirá cativar seus alunos para o conteúdo.
Então eu estou dizendo que o professor de ciências é especial, diferente dos outros? Sim! Mas todos são... Não podemos esperar que um professor de biologia de uma aula satisfatória de história mesmo conhecendo os fatos, história é mais que fatos. Assim como não podemos esperar professores de matemática ensinando geografia ou letras. Podemos esperar sim professores trabalhando juntos para alcançar temas maiores, mais isso é uma outra história para um outro dia.
Mas a minha questão principal é a seguinte: O que esperamos de um professor?
Me arrisco dizer que o professor deve ter o máximo de domínio possível de seu conteúdo, ter uma excelente didática em sala de aula, ser um profissional dedicado e em constante atualização e ser envolvido com a realidade escolar e social dos alunos.
Encontramos professores assim? Acredito que sim, mas são poucos. Um motivo plausível para isso é que se o professor possui um bom domínio do conteúdo e é um bom profissional, ele vai ser convidado a participar de outras atividades fora de sala de aula que, no Brasil, são muito mais atrativas monetariamente e em condições de trabalho. Logo, perdemos candidatos a ótimos professores por motivos de desvalorização da educação por parte da sociedade e do próprio pais.
A segunda parte de ser um bom professor, a didática e a interação com a realidade sócio-cultural da escola exige um entusiasmo do professor. Encarar uma turma ou mais todos os dias e aplica diversas técnicas que as vezes são trabalhosas e exaustivas exigem o minimo de dedicação e amor pelo que se faz. Do mesmo jeito a interação com o aluno, com a escola e com a sociedade que vão, em vários casos, alem de profissional exigem empolgação com a pratica. Acredito que podemos resumir essas características em uma só: Vocação.
Obviamente gostaríamos de ter professores completos na sala de aula, mas como mal temos professores somos obrigados a pensar na profissão de maneira mais critica e até desesperada. O que queremos no professor, em especial de ciências, da sala de aula do ensino básico? Podemos dizer que queremos um professor com domínio do conteúdo e que é o minimo para o aluno aprender, contudo existem diversos casos de professores com vasta experiencia em suas áreas fora de escola se tornarem professores e virem a ser incompreendidos, e até odiados, por seus alunos por não saber se comunicar, não conseguir fazer o assunto ser atraente para a realidade do estudante o simplesmente não gostar do que está fazendo.
Agora você pode me dizer, então o importante é a vocação, o conteúdo pode ser adquirido diretamente do livro didático. E eu digo que essa ideia esta longe de estar totalmente correta.
Professores mesmo que cativantes e interessados, quando não possuem um conhecimento minimo sobre o conteúdo, acabam por não conhecer ma melhor forma de ensina-lo, assim como cometem gafes e normalmente não conseguem suprir as duvidas extra livro que costumam aparecer, e muito, em aulas de ciências.
Mas como estamos desesperados por professores e precisamos que os jovens da sociedade recebam uma alfabetização cientifica mínima somos obrigados a criar um modelo de professor que possua o minimo das duas características principais já discutidas. E aqui encaramos um problema.
Eu acredito que os conteúdos de ciências possam ser ensinados para qualquer aluno, independente das suas dificuldades com a disciplina. Logo acredito que o futuro professor possa dominar o minimo necessário para dar aula no ensino básico com um curso rápido e direto. Porem é possível ensinar ao futuro professor a ter vocação e amor por sua futura profissão?
Acredito que até seja possível ensinar técnicas de aula e diferentes didáticas de ensino, mas se o professor não estiver realmente disposto a conhecer seu aluno e usar a técnica correta com muito carisma e motivação ele não é nada alem do que o exemplo do primeiro professor que domina o conteúdo e não consegue transmiti-lo aos seus ouvintes.
Em outro momento podemos discutir melhor como será essa educação do futuro professor dentro da minha visão, mas para o momento ressalto que a escola, a sociedade, a família e o governo oferecem diversos motivos para o potencialmente ótimo professor não queira seguir sua vocação, e acho que é aqui que pode começar a reviravolta da educação brasileira, na valorização do professor.
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