sábado, 10 de outubro de 2015

O peso de Piaget na atual psicopedagogia.



Durante os estudos com o material de apoio fornecido pela instituição, ao longo dessa pós-graduação, pude notar a forte tendência em seguir as ideias piagetianas. A proposta do curso assume um paradigma de psicopedagogia que se apoia em três pilares: A epistemologia genética de Piaget, a psicanálise de Freud e uma “vaga” abordagem sócio-histórico-cultural.

Como um pesquisador na área, atualmente cursando mestrado em educação em ciências, compreendo que existe uma tendencia história a seguir Piaget. Por muitos suas teorias se destacaram muito no cenário internacional, construindo uma comunidade de pesquisadores que levaram suas ideias para diferentes áreas do conhecimento. Contudo, mais para o final do século XX, Vygotsky é “encontrado” pela academia e, como uma nova febre, ganha grande destaque.

Assim como diversos epistemólogos da ciência concordam, entre eles Lakatos e Feyerabend, é normal um pesquisador não abandonar as teorias centrais de seu paradigma apenas porque uma outra teoria parece melhor ajustável. Com isso, diversas pesquisas tentam demonstrar teorias que levam Piaget e Vygotsky juntos, na mesma proposta.

No entanto, as ideias deles são incomensuráveis e, até certo ponto, incompatíveis. Gordon Wells, defensor das teoria histórico-cultural ativa, inspirada em Vygotsky, mostra em seus trabalhos mais antigos que a proposta de interação emergente da ideia de zona de desenvolvimento proximal nos tras uma ideia do diálogo não como avaliador, mas como processo de aprendizagem. Os processos construção de conhecimento não seriam de dentro para fora, mas sim de fora para dentro.

A partir disso, entendo que as bases da psicopedagogia que estudamos se baseie fortemente em Piaget. Também entendo porque ela “assume” uma influência interacionista, demonstrando reconhecer os avanços significativos do outro paradigma. Contudo, podemos ver desde os testes piagetianos até com o modo de classificação dos problemas que a psicopedagogia usa Piaget para avaliar e a psicanálise para achar o culpado e o tratamento.  

Nesse sentido penso: Como seria uma psicopedagogia realmente influenciada pela teoria histórico- cultural? Que tenha na sua base o interacionismo e que realmente se desenvolva a partir dele. Talvez um discurso nessa linha já esteja sendo trabalhado em algum lugar, apenas ainda não esbarrei nele.

Tendo aqui o meu problema proposto, um problema de natureza teórica e prática, gostaria de sugerir planos de ação para resolve-lo.

Primeiramente cabe fazer uma revisão bibliográfica do tema, começando pela literatura nacional, partindo para a latina e, por ultimo, em escala global. É importante notar se a questão é original e como a comunidade tem se encaminhado para responde-la. A partir disso, uma revisão na própria literatura da teoria histórico-cultural tem sido trabalhada. Para uma terceira etapa, caso as duas primeiras não auxiliem no processo, as pesquisas práticas deveriam começar. Imagino que a pesquisa clínica seja um bom primeiro passo, começando por pesquisas qualitativas, seguindo diversas metodologias, para começar a esboçar as primeiras ideias sobre o assunto.

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