Encontramos em nossa realidade uma serie de problemas na área da educação. Problemas graves de gestão ,como estado de escolas e materiais, de identidade e valorização da educação na sociedade e problemas didáticos e pedagógicos envolvendo escola-professor-aluno.
Não há como colocar a culpa mais em um problema do que em outro, até porque alguns são derivados de outros, porem podemos escolher um dos tópicos para conversar melhor sobre: o professor de ciências.
As ciências que quero retratar possuem suas peculiaridades: são ensinadas juntas no ensino fundamental, são divididas em química física e biologia nas ultimas series do fundamental e no primeiro ano do ensino médio e são compreendidas principalmente com a necessidade de experimentação e atividades praticas. Dito isso quero ressaltar que um professor de uma disciplina bem diferente como línguas, geografia ou matemática e não tenha competência na disciplina não conseguirá dar uma aula satisfatória de conteúdo, dificilmente será compreendido e, principalmente, não conseguirá cativar seus alunos para o conteúdo.
Então eu estou dizendo que o professor de ciências é especial, diferente dos outros? Sim! Mas todos são... Não podemos esperar que um professor de biologia de uma aula satisfatória de história mesmo conhecendo os fatos, história é mais que fatos. Assim como não podemos esperar professores de matemática ensinando geografia ou letras. Podemos esperar sim professores trabalhando juntos para alcançar temas maiores, mais isso é uma outra história para um outro dia.
Mas a minha questão principal é a seguinte: O que esperamos de um professor?
Me arrisco dizer que o professor deve ter o máximo de domínio possível de seu conteúdo, ter uma excelente didática em sala de aula, ser um profissional dedicado e em constante atualização e ser envolvido com a realidade escolar e social dos alunos.
Encontramos professores assim? Acredito que sim, mas são poucos. Um motivo plausível para isso é que se o professor possui um bom domínio do conteúdo e é um bom profissional, ele vai ser convidado a participar de outras atividades fora de sala de aula que, no Brasil, são muito mais atrativas monetariamente e em condições de trabalho. Logo, perdemos candidatos a ótimos professores por motivos de desvalorização da educação por parte da sociedade e do próprio pais.
A segunda parte de ser um bom professor, a didática e a interação com a realidade sócio-cultural da escola exige um entusiasmo do professor. Encarar uma turma ou mais todos os dias e aplica diversas técnicas que as vezes são trabalhosas e exaustivas exigem o minimo de dedicação e amor pelo que se faz. Do mesmo jeito a interação com o aluno, com a escola e com a sociedade que vão, em vários casos, alem de profissional exigem empolgação com a pratica. Acredito que podemos resumir essas características em uma só: Vocação.
Obviamente gostaríamos de ter professores completos na sala de aula, mas como mal temos professores somos obrigados a pensar na profissão de maneira mais critica e até desesperada. O que queremos no professor, em especial de ciências, da sala de aula do ensino básico? Podemos dizer que queremos um professor com domínio do conteúdo e que é o minimo para o aluno aprender, contudo existem diversos casos de professores com vasta experiencia em suas áreas fora de escola se tornarem professores e virem a ser incompreendidos, e até odiados, por seus alunos por não saber se comunicar, não conseguir fazer o assunto ser atraente para a realidade do estudante o simplesmente não gostar do que está fazendo.
Agora você pode me dizer, então o importante é a vocação, o conteúdo pode ser adquirido diretamente do livro didático. E eu digo que essa ideia esta longe de estar totalmente correta.
Professores mesmo que cativantes e interessados, quando não possuem um conhecimento minimo sobre o conteúdo, acabam por não conhecer ma melhor forma de ensina-lo, assim como cometem gafes e normalmente não conseguem suprir as duvidas extra livro que costumam aparecer, e muito, em aulas de ciências.
Mas como estamos desesperados por professores e precisamos que os jovens da sociedade recebam uma alfabetização cientifica mínima somos obrigados a criar um modelo de professor que possua o minimo das duas características principais já discutidas. E aqui encaramos um problema.
Eu acredito que os conteúdos de ciências possam ser ensinados para qualquer aluno, independente das suas dificuldades com a disciplina. Logo acredito que o futuro professor possa dominar o minimo necessário para dar aula no ensino básico com um curso rápido e direto. Porem é possível ensinar ao futuro professor a ter vocação e amor por sua futura profissão?
Acredito que até seja possível ensinar técnicas de aula e diferentes didáticas de ensino, mas se o professor não estiver realmente disposto a conhecer seu aluno e usar a técnica correta com muito carisma e motivação ele não é nada alem do que o exemplo do primeiro professor que domina o conteúdo e não consegue transmiti-lo aos seus ouvintes.
Em outro momento podemos discutir melhor como será essa educação do futuro professor dentro da minha visão, mas para o momento ressalto que a escola, a sociedade, a família e o governo oferecem diversos motivos para o potencialmente ótimo professor não queira seguir sua vocação, e acho que é aqui que pode começar a reviravolta da educação brasileira, na valorização do professor.